Amanhã dou aulas
Calor nos olhos.
Abertos nem sinto tanto, é mais ao fechar.
Duas semanas de gravações, muito design, concertos. Tudo certinho. No sábado, tapete.
É quase sempre assim. O corpo aguenta, até deixar de o fazer.
No sábado acordei com aquela sensação estranha de febre que ainda não é febre. A cabeça com reverb de molas incluído, os músculos com uma espécie de dor que não é bem dor.
E os olhos. O raio do calor nos olhos.
Nenhum tripé para dobrar. Zero grelhas.
A Margarida está a ver uma série. Saltos no tempo, assassinos, uma médica que está a tentar resolver aquilo tudo.
Uma médica.
O cocktail que me deram na farmácia não está a fazer grande coisa.
Fecho os olhos.
Amanhã dou aulas.

