Areia
Na semana passada toquei em Torres do Mondego, com Mães Solteiras.
Depois de fazer som, desci do palco e pisei a areia ainda com os Nike que comprei uns dias antes. Carregar material na praia não é a coisa mais confortável de sempre e faziam falta os meus Crocs psicadélicos.
Enquanto Paus fazia som, fui com o André e o Gaza dar uma mergulhaça.
Saí com os pés cheios de areia. Como sempre. No banco de madeira lá da praia fluvial, abri o browser e li um pouco sobre estes mini fragmentos de rocha.
A areia molhada agarra-se aos pés por causa de pontes de água microscópicas. Entre grãos e entre os grãos e a pele, formam-se ligações minúsculas. Uma comuna de grãos.
Pouca água? Nada feito! Cada grão na sua vidinha. Água a mais? Afoga-se! Passa a haver lama.
Entre o seco e o encharcado, fica o pé irritado…
Cheguei ao hotel e tinha levado metade da praia comigo. É que a água desaparece e os grãos soltam-se nos ténis e no carro e em todo o lado. Nascem dunas na cidade.
O que restava ficou no chuveiro, menos a vontade de voltar à praia e repetir tudo.

